João Caetano
em
Aug 10, 2021
Revisitando previsões sobre os desdobramentos geográficos provocados pela pandemia

Em meados de 2020 foi publicada a série de artigos sobre os desdobramentos geográficos provocados pela pandemia.

Começando pelo artigo, Reações em cadeia a partir da crise podem afetar diretamente a economia dos bairros, que discutiu as regiões que mais teriam a ganhar e perder com a nova organização do trabalho. Tema que repercutiu no JN na reportagem Pandemia muda o mapa dos negócios nas grandes cidades e hoje continua sendo desdobrado nas consequências que vão além dos impactos da crise econômica em Pandemia reforça desigualdade entre bairros em São Paulo.

Para chegar a estas previsões o time Mapfry analisou uma série de informações a respeito do perfil dos trabalhadores de cada bairro. A descoberta foi que, além dos efeitos da própria pandemia, havia um fato novo que apontava os caminhos que cada região iria seguir dali em diante e que continua sendo determinante, a ascensão das Classes Criativas.

Assim como a Classe Média derivou da Revolução Industrial, que relegou às máquinas o esforço físico, a Classe Criativa é resultante da Revolução da Informação, que transferiu para as máquinas o esforço intelectual. Esse é o grupo de trabalhadores que melhor soube aproveitar os efeitos das reduções de custo em computação e eletrônica, criando redes de comunicação e trabalho que são o futuro da produtividade. De forma que, quando a pandemia restringiu práticas profissionais presenciais, esse grupo foi novamente privilegiado.

Como resultado, a presença das Classes Criativas em determinados bairros dinamizou sua atividade econômica, assim como sua ausência nos centros corporativos levou à decadência desses lugares.

A perspectiva de volta ao trabalho presencial gera agitação, com jovens questionando a real necessidade do retorno e veteranos explicando que o encontro no ambiente de trabalho favorece o aprendizado daqueles que estão na primeira parte de suas carreiras. Por enquanto o debate tem abordado as motivações de quem prefere continuar em casa contra quem deseja voltar ao escritório.

Existe um terceiro fator ainda pouco explorado, que a volta aos escritórios talvez não seja uma questão de querer, mas poder. Muitos profissionais já não vivem nos bairros próximos aos centros corporativos como Morumbi, Moema, Campo Belo, Vila Mariana, Alto de Pinheiros, Perdizes, Vila Leopoldina, no caso de São Paulo.

A migração para cidades do interior se acelerou com o home office, tema que exploraremos em profundidade no segundo artigo da série de revisões, O despertar das cidades-dormitório, no qual retomaremos às previsões feitas em Usando a Villa XP para falar de cidades.