Equipe Mapfry
em
Aug 11, 2021
Um mundo novo começa agora

O início da pandemia desencadeou uma corrida às compras: máscaras de proteção, álcool-gel e papel higiênico!

Foram cenas de consumidores disputando fardos, prateleiras vazias e uma sensação de estranhamento geral.

“Será que tem algo acontecendo que ainda não sabemos?”

“Quem está comprando papel higiênico sabe de algo que eu não sei?”

“Devo levar um pouco mais por via das dúvidas.”

Agora, meses à frente vemos que uma tendência permanece, as famílias seguem concentrando gastos em itens básicos: https://oglobo.globo.com/economia/confinadas-em-razao-da-pandemia-familias-mudam-habitos-compram-mais-alimentos-24419717

Essas mudanças podem ser melhor compreendidas quando recorremos à famosa pirâmide de necessidades criada pelo psicólogo Abraham Maslow.

É curioso saber que ele chegou a ela enquanto pesquisava o sentido da vida. Em suas observações ele pode perceber que nossas expectativas cresciam na medida em que aspectos básicos eram atendidos, nesta ordem:

Necessidades fisiológicas: comida, abrigo, água.

Segurança: certeza de minhas necessidades fisiológicas serão atendidas no futuro.

Pertencimento: seres humanos são gregários e desejam ser reconhecidos por seus grupos.

Estima: sensação de que sou especial para aqueles que são importantes para mim.

Potencial máximo: ser tudo o que você pode ser, evoluir na direção de seus sonhos.

Na prática vivemos um regresso à base da pirâmide de Maslow, se antes da crise falávamos de propósito para marcas, neste momentos sentimos nossa própria existência sendo ameaçada.

Laços de família, amizade, a casa, as compras de mercado foram os degraus possíveis durante os dias de isolamento social.

É justamente o isolamento social que separa os degraus de cima, Pertencimento, Estima e busca pelo Potencial Máximo.

A sacudida que esta crise está a provocar na civilização mundial ainda está por ser totalmente desenhada, mas ela certamente passa pelo sobe e desce na pirâmide de Maslow.

Neste momento sofremos uma descida forçada aos degraus mais baixos, enquanto antes vivíamos na busca pelos mais altos.

O próprio Pertencimento vinha sendo alcançado por mais e mais pessoas construindo sua Estima nas redes sociais, uma super exposição dos melhores Lifestyles.

Apostamos numa retomada na escalada da pirâmide, com mais importância atribuída ao Pertencimento e a uma Estima menos online.

Por outro lado, o Potencial Máximo nunca foi tão virtual, com uma acelerada transformação do trabalho e da educação para o ambiente digital.

Quer aprender piano? Faça um curso online.

Quer trabalhar numa grande empresa? Será online.

O lugar que você mais ama agora pode ser sua casa, sem que se tenha de abrir mão do crescimento pessoal.

A casa volta ao centro das importâncias, nela fica a despensa, nela ficam seus familiares, para ela vão os amigos. Ao que parece vínhamos descuidando um pouco dela, a cada dia surgiam formatos de moradia que valorizavam mais a vida fora de casa do que dentro, como o co-living e os nano apartamentos.

Sabemos que a tendência de reduzir as residências vem da redução das famílias e ênfase em outros tipos de Pertencimento, mas a pergunta fica:

Essa tendência irá se manter?

Ahh o Happy Hour! Aquele momento mágico em que o chefe deixa de ser um mala, confraternizamos com os colegas, quem sabe até rola uma paquera. Os times trabalhavam juntos, sofriam pressão juntos, celebravam juntos.

Como será esse tipo de Pertencimento numa era de Home Office? Onde estará o espírito de grupo, esse sentimento gregrário típico dos humanos.

E a Estima? Como ela fica sem a mesa na janela, o lugar na cabeceira da sala de reunião, o palco. Quais serão os elementos de destaque em meio ao grupo em que pertencemos? Numa tela de computador todos ocupam janelas de igual tamanho.

Essas são questões que habitam nossos pensamentos enquanto passamos pela maior transformação da sociedade em décadas.