Equipe Mapfry
em
Apr 4, 2024
Melhores cidades para ter filhos

Novo estudo revela as melhores cidades para ter filhos

Após uma análise abrangente conduzida pela Mapfry, o inédito ranking das melhores cidades brasileiras para criar filhos foi divulgado. 

Este estudo extensivo oferece insights valiosos para uma sociedade que vive as consequências da intensa queda na natalidade.

Razão de ser

Ainda no final de dezembro de 2022, o IBGE liberou a prévia da População dos Municípios com base nos dados do Censo Demográfico 2022 coletados até 25/12/2022.

No dia da primeira divulgação do Censo, o Brasil, que acreditava ter 218 milhões de habitantes,  acordou com “apenas” 203 milhões.

A principal mudança não foi o tamanho da população, mas a desaceleração da natalidade, sobretudo considerando a proporção de mulheres em idade fértil.

A fim de compreender as lógicas por trás dessa mudança, decidimos olhar para as “ilhas de fecundidade”, lugares onde as famílias se sentem mais confiantes para ter filhos.

Principais Descobertas

O estudo analisou centenas de variáveis a respeito da população brasileira, muitas delas provenientes do novo Censo.

Indicadores de desenvolvimento, volume de população infantil e atividade econômica se destacaram como os mais representativos.

Cidades como Nova Lima, Bady Bassitt e Santana de Parnaíba lideram o ranking, proporcionando ambientes excepcionais para as famílias com filhos

Aspectos como crescimento populacional combinado com desenvolvimento social emergiram quando foi avaliado não apenas o volume de nascimentos, mas as condições de vida que as melhores cidades oferecem.

Metodologia

Usando um sistema de classificação sofisticado chamado Análise de Componentes Principais, que isolou os indicadores mais importantes entre centenas de variáveis.

O estudo avaliou as cidades com base em cinco dimensões:

  1. Baixo desenvolvimento: identifica regiões carentes, onde serviços públicos são ausentes, bem como o desempenho escolar é baixo.
  2. Volume de crianças: a população de crianças em cada cidade.
  3. Desenvolvimento: reflete a qualidade da infraestrutura urbana, assim como bons indicadores de educação e saúde.
  4. Dinamismo: reflete a intensidade da atividade econômica.
  5. Alto desenvolvimento: alta cobertura de serviços públicos e qualidade das moradias.

Ponderação e Cálculo das Pontuações Finais

Cada indicador recebe um peso baseado em sua importância percebida.

As pontuações finais são resultado de uma equação que multiplica a pontuação de cada cidade em cada categoria pelo respectivo peso.

Avaliação do Status Econômico (%ABC)

Ainda que não tenha feito parte do ranking, a proporção de domicílios nas classes A, B e C, na prática, com renda a partir de 3 salários mínimos, foi incluída para melhor compreensão das realidades locais.

Segmentação urbana

Da mesma forma que o Status Econômico, a classificação dos municípios por critérios de porte e atratividade não fez parte do modelo, mas ilustra os perfis mais representativos.

  • Metrópoles 
    • Conjunto das maiores cidades brasileiras
  • Cidades Referência 
    • Cidades prósperas com setores econômicos bem desenvolvidos, sendo destino de trabalho, comércio e serviços para cidades menores em suas redondezas
  • Centros Regionais
    • Cidades bem desenvolvidas em seus Estados, com população na faixa de 300 mil habitantes
  • Cidades Médias
    • Cidades relevantes em suas regiões, sem que exerçam grande atratividade para além de suas imediações
  • Cidades do Interior
    • Cidades com população entre 60 e 90 mil habitantes voltadas para si próprias e dedicadas a setores como indústria e agricultura
  • Cidades Menores
    • Cidades com grande dependência de programas sociais, aposentadorias e informalidade, muitas delas com renda média próxima de um salário mínimo
  • Cidades Pequenas
    • Cidades com economia restrita, a grande maioria depende de repasses federais e programas de transferência de renda

Responsabilidade técnica 

O trabalho foi supervisionado por Maurilio Soares, Cientista de Dados e co-fundador da Mapfry.

Com graduação em Estatística e mestrado em Demografia, ambos pela UNICAMP, possui experiência na execução de estudos de Inteligência de Mercado, geomarketing e CRM Analítico, no mercado de varejo, setor financeiro e consultoria. 

Principais insights

Correlação Significativa com o Status Econômico

O estudo identificou que a relação entre o status econômico das famílias e as pontuações finais é forte, mas não determinante.

Ainda assim, cidades com uma porcentagem maior de famílias nas classes de renda mais altas foram consideradas melhores para criar filhos.

Ambientes Urbanos Diversos

O fato de as metrópoles terem uma boa pontuação pode ser atribuído a sua variedade de recursos, como escolas de melhor qualidade, melhores instalações de saúde e mais oportunidades profissionais.

A pontuação média mais baixa nas Cidades Pequenas e Cidades Menores reflete as limitações em termos de recursos e perspectivas.

O principal destaque vai para as cidades médias próximas a regiões metropolitanas, como Nova Lima que fica perto de Belo Horizonte, Bady Bassitt que é vizinha da próspera São José do Rio Preto e Santana de Parnaíba, que faz parte da Grande São Paulo.

Esse comportamento orbital já havia sido sinalizado em “O despertar das cidades dormitório”, artigo de 2022, sobre a tendência de mudança das famílias para cidades menores, não tão distantes dos centros econômicos de referência. 

Por fim, vale destacar a presença de Goiânia em 6º lugar, exemplo de capital que integra intensidade econômica e qualidade de vida, mas que fica atrás de Abadia de Goiás, em 4º lugar, o que reforça o perfil de equilíbrio entre cidades do interior com proximidade a grandes centros.

Conheça o Ranking completo

Referências

Em 2022, número de nascimentos cai pelo quarto ano e chega ao menor patamar desde 1977

THE UNEXPECTED INCREASE IN U.S. FERTILITY RATES IN RESPONSE TO THE PANDEMIC

How Employers Can Accommodate A Surprising Baby Boom

Procuram-se bebês: o pacote italiano de incentivo aos casais 

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